A população Dogon no Mali é famosa em todo o mundo pela esplêndida beleza de suas máscaras, pela
arquitetura de suas construções (habitações, celeiros, altares, santuários, construções trogloditas e
togunas) e de suas esculturas, bem como pela riqueza de seu patrimônio arqueológico, social e cultural
(festas rituais e populares, cultos periodicamente prestados aos ancestrais através de várias cerimônias).
O sítio de Bandiagara acrescenta a esse conjunto paisagens excepcionais de falésias e planaltos
areníticos. É um dos locais mais majestosos da África Ocidental.
Hoje existe uma fascinação pelos Dogons, baseada em parte numa associação romântica entre uma paisagem
caótica das origens (ou seja, uma natureza "primitiva") e uma cultura ancestral autêntica e fixa. (Eric
Jolly)
Os Dogons são, antes de tudo, agricultores, principalmente de milho (armazenado nos ricos celeiros de cada
família) e ferreiros.
A maioria das aldeias está implantada na falésia e é acessível por caminhos muitas vezes íngremes.
A casa tradicional é organizada em torno de um pátio, cercado pelo celeiro de cada mulher e pelo do
marido, usado para conservar o milho.
Os homens Dogons, com seu boubou marrom-ocre e calças tecidas sob um chapéu cônico, e as mulheres Dogons,
com penteados sofisticados e seus panos coloridos, fascinam o recém-chegado.
Os rituais Dogons surpreendem, como o costume das saudações refinadas, pontuadas por um Sewa, que
significa "está tudo bem", ou a presença da toguna (ou "casa das palabres") em cada aldeia, sob a qual os
homens da aldeia, especialmente os mais velhos, se reúnem para discutir assuntos comuns.
Os Dogons têm uma religião animista. O baobá é uma árvore sagrada que nunca pode ser cortada ou vendida; a
raposa, a cobra e o crocodilo são animais sagrados que têm um lugar na mitologia Dogon: nunca devem ser
mortos.
Esta série fotográfica ilustra a riqueza da cultura e a beleza do local onde os Dogons vivem há mais de
dez séculos.
Pouco afetada pelo turismo global devido à recrudescência das atividades jihadistas no Mali, esta
civilização relativamente protegida, assim como o sítio que a abriga, transmite, de forma talvez utópica,
uma imagem de harmonia original relativamente excepcional nos dias de hoje.
Um espaço vibrante com o qual a fotografia entra em ressonância.














