Alt Text



ESPAÇO DE MEMORIAS, MEMORIA DO ESPAÇO :
A Cartoucheria


O bairro Cartoucherie, em Toulouse, é um lugar repleto de história, moldado pela outrora próspera indústria bélica que empregava mais de 1.500 pessoas no local. A área ainda testemunha essa atividade em seu tecido urbano existente, nos edifícios preservados — particularmente seu enorme armazém — e em sua interconexão, nos espaços públicos, nas atmosferas internas e em suas inter-relações.

Esta série é baseada nas perspectivas combinadas de três fotógrafos de Toulouse: Luc Adolphe, Frédéric Bonneaud e Loïc Adolphe. Durante duas visitas sucessivas, eles tiveram acesso ao local do Armazém Cartoucherie, um lugar em transição após a partida da atividade industrial e antes de sua nova vida no coração do ecobairro Cartoucherie. É um espaço rico em história e, ao mesmo tempo, em constante transformação.

Esses fotógrafos atuaram como arqueólogos, escavando esses vestígios, reconstruindo sinais de existências passadas e, em última análise, de toda a vida de uma sociedade. Essa sociedade, voltada para o progresso e a modernidade, criou e depois negligenciou esse lugar. A humanidade o abandona, mas às vezes a natureza intervém e o reclama.

La Cartoucherie

De Eugène Atget a Walker Evans, passando por Alfred Stieglitz, Germaine Krull, André Kertész, László Moholy-Nagy, Man Ray e Brassaï… objetos e espaços descartados têm constantemente inspirado fotógrafos. Ao imortalizar esses vestígios, esses fotógrafos lhes conferem uma segunda vida; essas relíquias surgem então dignas em sua vulnerabilidade, na fragilidade de sua beleza passada, na revelação do desgaste do tempo, no florescimento de sua pátina. Naturezas-mortas esculpidas pelo movimento do tempo e da luz.

Este projeto fotográfico estrutura-se em torno de duas linhas principais de investigação. Em primeiro lugar, exploramos o conceito de memória do local, a memória da atividade industrial que marcou profundamente os edifícios e os seus arredores. Destacamos os vestígios deixados por essas atividades e pelas pessoas que ali viveram: uma forma de arqueologia industrial.

Numa segunda fase, exploramos um aspeto mais subjetivo do local; tentamos transmitir através da fotografia os vastos espaços deixados pelos vários períodos industriais da zona, como se conectam e como interagem. Em suma, procuramos captar a atmosfera e o ambiente únicos de um lugar em transição, um lugar entre dois estados, um lugar simultaneamente imerso no passado e repleto de promessas e projetos futuros. Deixamos ao público a tarefa de imaginar o que o passado poderá ter sido e o que o futuro reserva para este território através das imagens que apresentamos.

fotografias de Luc Adolphe


fotografias de Frédéric Bonneaud


fotografias de Loïc Adolphe


Exposição em 2023.